Estudante é alvo de racismo em escola particular do Rio: “Dou dois índios por um africano”

maio 21, 2020



Estudante do colégio particular Franco-Brasileiro, na região de Laranjeiras, Ndeye Fatou Ndiaye, de 15 anos, foi mais uma jovem vítima de racismo.  
De família senegalesa, a jovem denunciou à série de ataques sofridos através de um grupo de Whatsapp, entre colegas de turma.

Na conversa, os adolescentes afirmaram: “Dou dois índios por um africano”, “quanto mais preto, mais preju", “fede a chorume”,  “Um negro vale um pedaço de papelão”.

“O meu colégio é de excelência, um dos melhores do Rio de Janeiro. A gente vê que, mesmo com pessoas que têm todos os acessos à educação, à informação, continua se propagando coisas extremamente racistas. É uma forma de mostrarmos que o racismo está em todos os lugares e a gente vai combater não só judicialmente, mas com conhecimento” , disse a estudante, em entrevista à TV Globo.

Pai de Fatou, Mamour Sop Ndiaye se manifestou dizendo que, “enquanto o colégio não apresentar resultados que me garantam a segurança das minhas filhas e de todas as mulheres negras que frequentam aquele ambiente, elas não voltam às aulas”.

O episódio criminoso repercutiu nas redes sociais e artistas como Taís Araújo, Zezé Motta e Iza manifestaram apoio a Ndeye Fatou Ndiaye, de 15 anos.

Colégio Franco-Brasileiro encaminhou uma nota à imprensa, informando repúdio aos conteúdos racistas. 

Prezada Comunidade Escolar,
Tomamos ciência hoje de um fato ocorrido envolvendo alunos da 1ª série do Ensino Médio do Colégio Franco-Brasileiro, em conversas de um grupo de WhatsApp formado pelos próprios alunos. Nessas conversas, foram constatadas atitudes extremamente racistas.
Estamos profundamente indignados com o ocorrido e reiteramos que o Colégio Franco-Brasileiro repudia, de forma veemente, toda forma de racismo.
O ato de discriminar agride os Direitos Humanos e o princípio da dignidade da pessoa humana. É nossa responsabilidade enfrentar o racismo nos diferentes espaços que ocupamos, incluindo os ambientes virtuais.
Em nossa proposta pedagógica, destacamos que: “educamos para a democracia e não para o autoritarismo, para a igualdade de gênero e não para o sexismo, para o pluralismo econômico e não para o dogmatismo, para a diversidade cultural e não para o etnocentrismo, para a igualdade racial e não para o racismo, para a liberdade religiosa e não para o fanatismo”.
Estamos analisando todos os fatos para que as devidas providências sejam tomadas.
Atenciosamente,
Equipe Técnico-Pedagógica”

As investigações sobre o caso estão sendo conduzidas pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro.

(Reprodução/Instagram)
 (Reprodução/Instagram)
                                       

Tecnologia do Blogger.