“Cheguei de propósito aos 261 quilos por medo de ser estuprada de novo”

março 03, 2020


Roxane Gay nasceu em 28 de outubro de 1974 em Nebraska nos EUA. Hoje ela é escritora, professora, editora e comentarista. É autora da coleção de ensaios best-sellers do The New York Times, Bad Feminist (2014), bem como a coleção de contos Ayiti (2011), o romance An Untamed State (2014), o conto coleção Difficult Women (2017), e o livro de memórias Hunger (2017).


No entanto, para chegar onde chegou, Roxane Gay precisou lutar veemente contra a sórdida lembrança de uma pré-adolescência massacrada por um estupro coletivo.

“Na minha história de violência houve um rapaz. Eu o amava. Ele se chamava Christopher. Na realidade, ele não se chamava assim, mas eu não preciso lhes dizer isso. Christopher e vários amigos me estupraram no bosque, em uma cabana de caça abandonada, onde ninguém, a não ser aqueles rapazes, podiam escutar os meus gritos”.Roxane Gay

Roxane Gay e a comida como defesa diante do estupro


O trauma sofrido, na realidade, jamais poderá ser superado completamente. Quem já sofreu abuso sexual e/ou violência doméstica sabe disso muito bem. É como perder todos os dentes, você sabe que não morrerá por isso, mas nunca mais conseguirá sorrir com confiança. No caso de Roxane, o medo de sofrer de novo um estupro a levou  a desejar ser “repulsiva” (palavras dela mesma) a fim de não correr risco à violência sexual. Então ela passou a utilizar a comida como cura para as feridas da sua alma. Ela escolheu comer para se anular diante do mundo. A comida se transformou em sua muralha e o sobrepeso como se fosse placas de advertência de em torno de si. Quanto mais comia, mais segura se sentia.


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