APÓS SER ALVO DE RACISMO, URSO COBRA POSICIONAMENTO DE NEYMAR E THIAGUINHO CONTRA O PRECONCEITO

julho 13, 2019



Em entrevista para Uol, um dos principais jogadores do Corinthians, Junior Urso mostrou que também faz papel importante fora dos campos. Vítima de racismo enquanto atuava no futebol chinês, atualmente luta contra o preconceito racial e cobra posicionamento de pessoas influentes referente ao assunto.

(Reprodução/Instagram) 


"Ainda falta um pouquinho outros negros que têm nome [combaterem o preconceito]. Tem pessoas no nosso país que todos ouvem quando se expressam, então faltam outros negros com poder de voz se expressarem um pouco mais e brigarem pela causa", Urso enfatiza, que é um dos poucos a tornar públicos seus ideais de igualdade.Só vai haver igualdade quando este tipo de pessoa também falar, porque muita gente se espelha nelas", defende Urso. "Na música temos o Emicida, um rapper que está brigando pelo seu espaço. Talvez o Thiaguinho fosse um cara legal de falar mais sobre isso, apesar de estar em outras situações, na televisão - de repente tiram ele de lá se ele insistir nisso. O próprio Neymar também... Outros negros deveriam se expressar mais, ajudar mais na causa", opina o volante. "Eu nunca o vi falar sobre isso. Seria interessante ele agir desta forma."

Após o episódio de racismo no futebol chinês, relatou que sentiu uma dor que não imaginava.
“Eu achava que eu sabia como era passar por isso, como era a dor das pessoas que sofreram racismo, mas eu realmente não sabia. Assim que o rapaz se expressou dessa forma, eu senti realmente o que era o racismo. Fiquei bem mexido mesmo quando ele me chamou de macaco. Tanto que eu não acreditei que ele estava falando aquilo: perguntei o que ele estava falando, ele repetiu. O Daniel Alves comeu a banana e eu pensava que faria o mesmo. Mas não consegui. Cada um reage de uma forma, absorve de um jeito. Quando ele falou, foi um susto muito grande. Eu realmente não sabia o que era o racismo antes de passar por isso. Hoje, graças a Deus, estou conseguindo superar isso. Se eu passasse por isso de novo, desta vez eu não reagiria como na época. Mas na época fiquei muito triste.” Completou Urso.
Após esse dia, o jogador decidiu tatuar na pele um gesto simbólico dos Panteras Negras, que foi eternizado nos Jogos Olímpicos de 1968, na Cidade do México. Tommie Smith e John Carlos ganharam as medalhas de ouro e bronze e subiram no pódio para a premiação dos 200 metros do atletismo.


Para Urso, o punho cerrado no meio das costas em homenagem, representa força e reafirma para o mundo e para si próprio quem ele era.
"Eu pensei bastante nesta tatuagem por serem pessoas do esporte que fizeram este manifesto. E pensei da mesma forma. É uma história que já tinha visto várias vezes e reli antes de fazer a tatuagem. Eu fui diretamente no motivo para eles erguerem os punhos. Li toda a história, sobre Malcolm X [ativista e líder do movimento negro nos EUA] e outros negros que até morreram pela causa, pela igualdade. Foi pelo que eu tinha passado na China e pelo que vários negros passam. Eu estava sofrendo naquele momento e precisava me expressar, então me expressei desta forma. Para mim é um prazer ter algo tão expressivo no meu corpo, ainda mais pela forma como esses caras fizeram".



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