Falta de atores negros em novela baiana vira notícia negativa no jornal inglês 'The Guardian'

maio 23, 2018



A teledramaturgia "Sol Nascente" se passa na Bahia, estado com maior número de pessoas negras do Brasil, que são aproximadamente 80% da população,  segundo as informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Algo que reforçou as questões de representatividade na TV brasileira, é a falta de atores negros nas novelas, pois a novela em questão tem elenco majoritariamente composto por brancos. 
A polêmica gerou grande repercussão nas redes sociais, chegou ao Ministério Público do Trabalho e até a imprensa internacional. 
O Jornal inglês 'The Guardian' foi um dos primeiros a criticar, e ainda destaca que dos "27 escalados, apenas três são negros, nenhum é protagonista ou apareceu no primeiro capítulo". 
(Reprodução/Internet)

"O domingo 13 de Maio, marcou 130 anos desde o fim oficial da escravidão no Brasil, país que importou o maior número de escravos da África durante o período transatlântico de comércio de escravos.

Cerca de 54% dos brasileiros se identificam como negros ou mestiços. Mas os críticos há muito sustentam que as pessoas negras e mestiças estão sub-representadas na televisão brasileira - e em instituições da vida real, como empresas e governo.

Antes do lançamento do Segundo Sol, o Ministério Público do Trabalho emitiu um documento de recomendação à Globo, pedindo que o elenco de Segundo Sol fosse revisado. "Quando os programas de televisão não espelham a sociedade, isso gera maior exclusão e reafirma estereótipos limitados para a população negra", disse o órgão.

Segundo Sol provocou controvérsia quando um trailer de dois minutos foi lançado em abril, provocando duras críticas sobre a falta de representação negra." 
O Guardian, ouviu o cineasta Joel Zito Araújo que é autor do documentário  "A Negação de Brasil - Negros na história das telenovelas brasileiras" 
 “O que persiste muito fortemente na mente dos produtores e diretores é a ideia de que a população negra e afro-descendente é a minoria: a ideologia do branqueamento continua.”​
Em um comunicado, a emissora Rede Globo disse: "Estamos atentos, ouvindo e seguindo esses comentários" e "ainda temos menos representatividade do que gostaríamos e vamos trabalhar para evoluir com essa questão".

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