Exposição na Bélgica traz roupas de vítimas de estupro para romper sentimento de 'culpa de mulheres'

janeiro 17, 2018


(Reprodução/Internet)


Em muitos casos de estupro, as mulheres saem como culpadas e são julgadas pelas roupas que usavam no ato de agressão sexual. Para quebrar este paradigma, a ONG CAW, fez uma doação para os organizadores da exposição que reúne 18 peças de roupas de mulheres que foram abusadas, o objetivo é de apoio às vítimas de violência sexual. Ao lado de cada roupa está um papel, com uma pequena resposta à pergunta: “O que você estava vestindo?”.

A exposição levou o nome de "A culpa é minha?", em referência à pergunta que muitas vítimas se fazem depois de um ataque.

Cada peça de roupa trás uma a história de mulheres que foram julgadas como culpadas, mesmo que feridas sexualmente e mentalmente.

— O que você nota imediatamente é que são itens normais que qualquer pessoa vestiria, não roupas de látex. Existe até uma camiseta infantil do “My Little Pony”. Esta também é uma dura realidade: a maioria das vítimas de estupro lembra exatamente o que estava vestindo — apontou Liesbeth, à VRT Radio 1.

— Algumas vítimas começam a pensar que elas são em parte responsáveis pelo que aconteceu como resultado do que estavam vestindo ou de como se comportavam. Mas só há uma pessoa responsável, uma pessoa que pode prevenir o estupro: o próprio estuprador.



Um relatório publicado em dezembro de 2016 pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública revela que 30% dos brasileiros concordam que “a mulher que usa roupas provocativas não pode reclamar se for estuprada”, e 37% acreditam que “mulheres que se dão ao respeito não são estupradas”.

— É um problema mundial. Nós ouvimos muito sobre a roupa das mulheres, que o vestuário dá a entender que querem fazer sexo — disse Delphine. — Espero que a exposição mude a forma como as pessoas pensam sobre o assunto e como conversam com as vítimas.

(Reprodução/Internet)


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